Atividade Física na Terceira Idade

Envelhecimento e Exercício Físico

Marin et al. (2003) e Almeida e Teixeira (2014) afirmam que o envelhecimento é um processo que todos os indivíduos passam caracterizado pela diminuição gradativa da capacidade de vários sistemas do organismo e realizar suas funções adequadamente. Sendo que o sistema neuro-músculo-esquelético é um dos mais afetados, interferindo negativamente nas atividades do dia-dia, prejudicando a qualidade de vida do indivíduo.

Porém de acordo com Nobrega et al. (1999) ao se manter um estilo de vida ativo e saudável pode-se retardar essas alterações morfofuncionais que ocorrem com o envelhecimento.

Mas quais os problemas que tais alterações podem ocasionar?

Um grande problema é quando ocorrem déficits de equilíbrio e na marcha( Almeida e Teixeira, 2014) (caminhar, manter-se em pé, etc.), pois assim aumenta-se o risco de quedas, e como conseqüência, lesões, fraturas e até mesmo óbito, além de prejudicas as atividades da vida diária (AVDS). Por isso, como diz Faria et al. 2003, e Guedes Jr. Et al. 2008 o engajamento em um programa de exercícios, alimentação adequada e descanso tende a retardar a chegada da terceira idade.

A perda da massa muscular vem em conjunto com a perda da força, e assim com a diminuição da potência muscular, a troca de passos durante a marcha ou o reestabelecimento da perna de apoio em uma situação de desequilíbrio fica prejudicada, dessa forma o idoso encontra dificuldade em atividades que exijam ações musculares rápidas (GUEDES JR, et al. 2008).

Outros pontos que devem ser levados em consideração são a perda da massa óssea que tem como conseqüência a osteopenia e a osteoporose ( fragilidade esquelética que predispõe à fraturas, ACSM, 2009) por exemplo e a sobrecarga de articulações devido a incapacidade da musculatura (enfraquecida) suportar os impactos, podendo gerar quadros de artite e artrose, além é claro de “simples” dores musculares, oriundas desta fraqueza muscular.

Devo me preocupar? Quando?

Bom, quanto antes começar, melhor não é mesmo? Pois assim estará preparado (a) com antecedência. Sabe por que? É interessante que conheçamos o que diz Nobrega (1999), para saber que o sistema neuromuscular no homem alcança sua maturidade entre os 20 e 30 anos de idade, sendo que a partir disso a força máxima permanece estável ou com reduções pouco significativas e a partir dos 60 anos são observadas reduções na força máxima entre 30 e 40%. Correspondendo 6% de perda de força a cada dez anos entre os 35 até os 50 anos de idade e depois disso, 10% por década. E de acordo com a ACSM, 2009 a densidade mineral óssea diminui 0,5% ao ano, ou mais, a partir dos 40 anos de idade, e nas mulheres após a menopausa esse declínio pode chegar de 2 a 3 % ao ano. A probabilidade de ocorrer uma fratura, proveniente de uma osteoporose após os 50 anos de idade chega a 30% em mulheres e 13% em homens ( PINTO NETO et al. 2002).

Mas então quais os benefícios que o exercício físico proporciona aos idosos?

Os exercícios físicos adequados podem proporcionar aos idosos, melhora da flexibilidade, da condição cardiorrespiratória, melhora do equilíbrio, da massa óssea, da composição corporal (percentual de gordura x massa magra), da coordenação motora e da qualidade de vida, aumento da força muscular, da autoconfiança, da independência (principalmente para executar as atividades do dia-dia) e da auto-estima, controle e melhora de aspectos clínicos (controle da glicemia, colesterol, triglicerídeos, pressão arterial, função pulmonar, entre outros).
Mas é importante salientar que o destreinamento leva à perda deste benefícios (Raso et al. 2001).

Para saber qual(ais) o(s) melhor(es) exercíco(s) mantenha em dia seus exames clínicos e avaliações físicas, e claro, converse com um profissional de educação física, para que ele possa orientar qual o melhor planejamento se enquadra em suas necessidades!

(Texto de Breno Abreu)

REFERÊNCIAS
AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE (ACSM). Position Stand. Exercise and Physical Activity for Older Adults. Med Sci Sports Exerc. 41(7):15-10/30, 2009.
TEIXEIRA, C.V.L.S.; ALMEIDA, C.L. Benefícios do treinamento de força no envelhecimento.EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires – Ano 19 – Nº 196. Setembro de 2014
FARIA, J. C.; MACHALA, C. C.; DIAS, R.C.; DIAS, J.M.D. Importância do treinamento de força na reabilitação da função muscular, equilíbrio e mobilidade de idosos. Acta Fisiátrica. 10(3): 133-137, 2003.
GUEDES JR., D. P.; SOUZA JR., T. P.; ROCHA, A. C. Treinamento personalizado em musculação. São Paulo: Phorte, 2008.
MARIN, R.V.; MATSUDO, S.; MATSUDO, V.; ANDRADE, E.; BRAGGION, G. Acréscimo de 1 kg aos exercícios praticados por mulheres acima de 50 anos: impacto na aptidão física e capacidade funcional. Rev Bras Ciên e Mov. 11(1): 53-8, 2003.
NOBREGA, A.C.L. et al. Posição oficial da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia: atividade física e saúde no idoso. Rev Bras Med Esporte. 5(6): 79-81, 1999.
PINTO NETO et al. Consenso Brasileiro de Osteoporose. Rev Bras Reumatol. 42(6): 343- 54, 2002.
RASO, V.; MATSUDO, S . M.; MATSUDO, V.K.R. A força muscular de mulheres idosas decresce principalmente após oito semanas de interrupção de um programa de exercícios com pesos livres. Rev Bras Med Esporte. 7(6): 177-86, 2011.